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Da Polícia colonial portuguesa à Polícia Nacional PDF Imprimir E-mail
Escrito por José Prata (Texto) e António Pedro (Fotos)   
ImageA Revista Tranquilidade tem vindo, nas últimas edições, a divulgar alguns subsídios sobre a história da Polícia Nacional, através dos testemunhos de indivíduos que viveram e acompanharam o seu desenvolvimento. Este é o depoimento do Superintendente Miguel Maria Manuel.

 
Surgimos então novamente com mais uma dose historial, com um testemunho dos caminhos que levaram a Polícia colonial portuguesa à PSP, CPA, CPPA, até à Polícia Nacional. 

Miguel Maria Manuel, 58 anos de idade, Superintendente da Polícia Nacional, polícia desde 1972, desde muito cedo envergou a farda.
Primeiro foi a farda da tropa colonial portuguesa, depois foi a da Polícia de Guarda Rural, após isso passou para a PSP. Mais tarde, já na Angola independente, integrou o Corpo de Polícia de Angola (CPA) que se transformou logo a seguir em Corpo de Polícia Popular de Angola (CPPA). Daí foi somente somar e seguir, passando de farda à farda até à Polícia actual. Actualmente, continua a dar o seu contributo à Pátria angolana.

O Superintendente Miguel Maria encontra-se colocado na Direcção Nacional dos Serviços Sociais da Polícia Nacional, onde exerce a função de chefe de Secção de Apoio e Assistência Social.

Em 1968, aos 20 anos de idade, envergou a farda da tropa colonial portuguesa, cumprindo assim com o serviço militar obrigatório da então Província Ultramarina Portuguesa.

Natural de Ambriz, província do Bengo, Miguel Maria, na altura com apenas 13 anos, isso em 1961, com a segunda classe feita, queria sair de Angola, como faziam outros jovens da sua idade, para prosseguir com os seus estudos na República do Congo Brazaville, então denominado Congo Belga.

Porém, para que tal acontecesse era necessário reunir alguns recursos, para que se pudesse manter naquele país durante o tempo que fosse necessário para os estudos. Mas, nem ele, nem os seus pais tinham recursos para esse fim. Foi então que decidiram fazer uma lista familiar para que cada um deles contribuísse com algum valor.

Enquanto os seus familiares concluíam com a contribuição, na certeza de que seguiria junto com outros jovens, elaboraram uma lista dos que haviam de viajar. Segundo disse, sabe Deus como, a lista dos bolseiros foi parar à PIDE-DGS. Na altura os dois congos eram tidos pelos nacionalistas como um pouso seguro para a organização das células anti-colonialistas. Por isso todos os cidadãos que quisessem seguir para um dos congos eram tidos como suspeitos. Foi assim que todos os integrantes daquela lista de bolseiros foram procurados pela PIDE-DGS. Desta lista constava o nome de Miguel Maria Manuel, embora tivesse apenas 13 anos de idade, não foi poupado.

Em 1961 no fim do mês de Janeiro foi preso pela PIDEDGS e conduzido à cadeia do Ambriz. Na cadeia soube que o seu caso estava ligado ao facto de integrar a lista dos homens que queriam deixar Angola com destino ao Congo Belga.

Após a prisão, depois de uma “boa” tortura e ter sido remetido ao trabalho forçado, foi finalmente solto mas vigiado e controlado pela PIDE-DGS. De vez em quando era detido e passava um ou dois dias na prisão e era solto e assim foi seguindo.

ImagePorém, precisava de encontrar uma fuga para aquela situação de perseguição. Quando atingiu os seus 18 anos recenseou-se na tropa colonial e dois anos depois enquadrou-se no exército colonial. Foi transferido para o Norte de Angola, para o Zaire, onde na área da Pedra de Feitiço e Soyo cumpriu a vida militar. Pensava que no exército colonial, a situação viesse a mudar, mas não aconteceu. Era controlado mesmo na tropa. De tempo em tempo aparecia-lhe um ou outro elemento da PIDE-DGS para o abordar.

Ainda a cumprir a vida militar, um grupo de quatro elementos, entre estes o Miguel Maria e Flávio Fernandes, traçavam planos de fuga, para irem juntar-se aos compatriotas que se encontravam numa zona do Congo chamada Sanzala da Paz. Ideia mais tarde repudiada pelo Flávio Fernandes que aconselhou a não fugirem, porque tinha descoberto do outro lado do rio Zaire, junto às margens do mesmo rio, a existência de fuzileiros. Então tiveram que continuar até ao fim da missão.
A vida militar estava prestes a terminar e Miguel Maria não sabia como fazer, pois as perseguições continuavam.

Terminando, em Luanda, o cumprimento do serviço militar obrigatório, quis regressar à sua terra de origem (Ambriz), porém, ficou a saber que muitos dos seus amigos e homens que integravam a mesma lista, tinham sido presos.
Para salvar a sua integridade física optou por integrar a Polícia colonial de Guarda Rural, onde foi enquadrado como guarda rural de quarta categoria, depois de terminar a vida militar.

Na altura da transição da Polícia de Segurança Pública (PSP) ao CPA, Miguel Maria encontrava-se no interior de Angola, na província de Benguela, município do Cubal, ao serviço da Polícia colonial. Nos primórdios do CPA foi transferido para Benguela, onde desempenhou as funções de chefe da Cantina da Polícia e mais tarde passou a instrutor do primeiro curso de Polícia de Angola, no qual participaram cerca de 90 mancebos.

O Superintendente Miguel Maria acompanhou quase todas as transformações que a Polícia de Angola foi sofrendo até à presente data e delas participou até 1981 quando foi para as ex-FAPLA, de onde sairia em 1992 para regressar à sua antiga casa (a Polícia), na qual continua até à data da realização da presente entrevista.

Para o Superintendente Miguel Maria, “muitas transformações se fizeram na Polícia até hoje, mas o principal objectivo, que é o combate ao crime, esteve sempre preservado e tudo foi feito para o bem da nossa Nação”.

Pelo que disse diferem bastante os objectivos da Polícia colonial dos da Polícia angolana. “Enquanto na Polícia colonial éramos obrigados a defender os interesses dos colonos, hoje somos chamados a defender o nosso próprio povo e os interesses inerentes à ordem e à tranquilidade públicas”.

O Superintendente Miguel Maria recorda com alguma mágoa o tempo que passou na Polícia colonial. Porém, da Polícia angolana guarda momentos que lhe foram muito especiais. “Já fui Comandante da Esquadra de Caimbambo, participei na batalha contra os sulafricanos nas Cachueiras do Kwanza-Sul, participei nas guerras para reabertura das esquadras da Polícia da província de Benguela”.

Na luta contra os colonialistas portugueses “participei desviando armas e munições das esquadras da Polícia colonial para as entregar aos meus compatriotas”.

Hoje, com 58 anos de idade, o Superintendente Miguel Maria, continua a dar o seu contributo à nação e julgando pelo seu vigor, ainda muito tem a dar ao país. Quase a atingir a idade da reforma, Miguel Maria afirma: “não me arrependo do tempo que perdi andando de esquadra em esquadra, de fardamento em fardamento, porque agora mais do que nunca, sei que melhores dias virão. Se não for para mim, os meus filhos e netos terão o prazer de verem”.

O Superintendente Miguel Maria deixa um apelo a quem de direito, para que reconheça os feitos daqueles que de lá para cá deram e continuam a dar o seu contributo para a Polícia Nacional e ao engrandecimento desta nossa Angola.

 

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